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23/09/2025

Inventário e partilha: como evitar conflitos entre herdeiro

A morte de um ente querido é sempre um momento delicado, marcado pelo luto e pela necessidade de reorganização familiar. No entanto, para muitas famílias, esse período acaba sendo agravado por conflitos em torno do inventário e da partilha de bens.

Disputas entre herdeiros não são raras: segundo levantamento divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), os processos de inventário representam uma fatia significativa do acervo judicial brasileiro, sendo responsáveis por atrasos e desgastes emocionais. Questões que poderiam ser resolvidas com diálogo e orientação jurídica acabam se transformando em longas batalhas judiciais.

 

Por que os conflitos entre herdeiros acontecem?

Os principais fatores que alimentam disputas sucessórias incluem:

  1. Disputa por bens de valor econômico ou sentimental: Imóveis, empresas familiares ou até objetos pessoais podem gerar divergências entre os herdeiros.
  2. Falta de diálogo: A ausência de comunicação transparente muitas vezes transforma pequenas divergências em grandes litígios.
  3. Desconhecimento da lei: Muitos herdeiros desconhecem seus direitos e deveres previstos no Código Civil e no Código de Processo Civil.
  4. Escolha do procedimento inadequado: Enquanto o inventário extrajudicial (feito em cartório) é mais rápido e menos custoso, o inventário judicial se torna obrigatório quando há herdeiros menores, incapazes ou quando não existe consenso.

Esses fatores, somados ao estresse do luto, criam um ambiente propício para atritos familiares que, em muitos casos, poderiam ser evitados.

 

Direitos, deveres e caminhos para evitar litígios

O direito sucessório, previsto no Código Civil, estabelece que a herança transmite-se automaticamente aos herdeiros no momento da morte. Isso significa que todos os bens, direitos e obrigações do falecido passam a integrar o acervo hereditário.

Direitos e deveres dos herdeiros

  • Todos os herdeiros têm direito à sua quota-parte legítima, proporcional à sua posição na ordem de vocação hereditária.
  • Cabe aos herdeiros também o dever de arcar com dívidas e obrigações deixadas pelo falecido, respeitados os limites do patrimônio herdado.
  • O inventário deve ser iniciado em até 2 meses a contar da abertura da sucessão (art. 611 do CPC), sob pena de multa fiscal em alguns estados.

Importância da documentação

Conflitos podem ser minimizados quando todos os bens e dívidas são apresentados de forma clara e documentada. Escrituras, registros de imóveis, extratos bancários e contratos devem ser preservados e apresentados para dar transparência ao processo.

Mediação e conciliação

A mediação e a conciliação são ferramentas importantes para pacificar conflitos entre herdeiros. O CPC de 2015 fortaleceu esses mecanismos, e o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem reconhecido a relevância de soluções consensuais em inventários. Acordos extrajudiciais homologados em cartório, quando cabíveis, reduzem custos, prazos e preservam os laços familiares.

Planejamento sucessório

Uma das formas mais eficazes de evitar conflitos é por meio do planejamento sucessório, que pode incluir:

  • Testamento (arts. 1.857 e seguintes do Código Civil), no qual o falecido define previamente a destinação de parte dos bens;
  • Doação em vida, com reserva de usufruto;
  • Criação de holdings familiares, estruturando a gestão e a partilha do patrimônio.

Esse planejamento oferece clareza, reduz incertezas e evita litígios futuros.

 

Passos práticos para preservar o patrimônio e a harmonia

Se você é herdeiro ou está prestes a enfrentar um processo de inventário, algumas medidas podem ajudar a evitar conflitos e desgastes:

  1. Busque orientação jurídica especializada: Um advogado experiente em direito sucessório é fundamental para orientar sobre prazos, direitos e estratégias adequadas.
  2. Escolha o procedimento correto: Avalie, com apoio jurídico, se o inventário pode ser feito de forma extrajudicial ou se deve obrigatoriamente seguir pela via judicial.
  3. Preserve e organize documentos: Tenha à mão registros de imóveis, certidões, contratos e extratos, evitando disputas sobre a existência ou não de bens.
  4. Esteja aberto ao diálogo e à mediação: A busca por consenso deve sempre ser priorizada, reduzindo custos e preservando relações familiares.
  5. Considere o planejamento sucessório preventivo: Se você é titular de patrimônio, pense no futuro e avalie estratégias de sucessão em vida para evitar que seus herdeiros enfrentem litígios.

 

Informação e prevenção como melhores aliados

Os conflitos em inventários não são inevitáveis, mas resultado da combinação de luto, desconhecimento da lei e ausência de diálogo. A legislação brasileira oferece mecanismos claros para a partilha de bens, mas cabe às famílias se organizarem de forma transparente e buscar a mediação sempre que possível. O papel da assessoria jurídica é essencial nesse processo: além de garantir o cumprimento da lei, ela atua como facilitadora na construção de acordos e na prevenção de litígios.

Se você ou sua família estão diante da necessidade de abrir um inventário, não enfrente esse desafio sozinho. Busque apoio jurídico especializado, preserve seus direitos e evite que a dor da perda se transforme em uma batalha judicial. Afinal, o patrimônio construído ao longo de uma vida deve ser lembrado como legado, não como motivo de discórdia.

Com uma abordagem personalizada e um compromisso com a excelência, a equipe da Alves Moreira & Advogados Associados está à disposição para oferecer suporte e orientação.

 

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